O que é um Creative Hub?

27 Novembro 2017 por Sofia Rocha e Silva

No dia 4 de dezembro de 2017 no Museu da Vila Velha vai ser apresentado o projeto para o Douro Creative Hub. Vamos poder ouvir os planos e as ideias de quem o está a delinear e a promover, e, como comunidade criativa, dar o nosso feedback e discutir um pouco o assunto. Mas antes é preciso saber mais sobre esse assunto — senão, como discuti-lo? Por isso andámos à procura de definir e perceber…

O que é um Creative Hub? O que pode ser o Douro Creative Hub?

A definição mais simples de Creative Hub é que é um local (físico ou virtual) onde os criativos se juntam.
A esta definição podemos colocar as perguntas do costume: quem, onde, como, quando, porquê, o quê, para quê?
Algumas não sabemos e teremos de nos encontrar no dia 4 de dezembro para saber as respostas: não sabemos quando, nem onde, porque são questões muito particulares da cidade. Mas podemos tentar saber mais sobre quem são os “criativos”, como pode ser um Creative Hub, porquê fazer um Creative Hub, e para que serve.

Antes de avançarmos, contudo, é importante dizer que o Douro Creative Hub e o Polo de Indústrias Criativas do Douro (que tem vindo a ser promovido em sessões públicas) não são a mesma coisa, embora estejam ligados. É difícil distingui-los mas achamos que a maneira mais fácil de pensar nisso é ver o Douro Creative Hub como o nome dado ao projeto que virá a concretizar o Polo de Indústrias Criativas do Douro. (Dizemos sem certeza, por isso é uma questão para dia 4, registem!).
Na prática, Polo de Indústrias Criativas e Creative Hub são sinónimos, com a diferença de que os Polos tendem a exigir um lugar físico enquanto os Hubs podem significar só uma junção de criativos virtual.

Quem são os “criativos”?

Tendo em conta o que foi falado nas últimas sessões públicas, poderá continuar a ser usada a definição geral das indústrias criativas para se definir quem são os criativo

Este relatório das Nações Unidas define as indústrias criativas como um

(…) cruzamento entre as artes, a cultura, os negócios e a tecnologia. (…) o ciclo de criação, produção e distribuição de bens e serviços cuja matéria prima principal é a propriedade intelectual.

E ainda diz mais que hoje (portanto, em 2008), as indústrias criativas iam de artes como o folclore, festivais, música, livros, pinturas e artes performativas, até outras mais ligadas à tecnologia como o cinema, a rádio, a animação e os videojogos, e serviços como a arquitectura e a publicidade. Esta definição é limitada não por áreas mas pela ideia comum de que todas estas áreas geram negócio através da criatividade (são os negócios onde o fundamental é a ideia! ).

Bem, mas sendo preciso limitar mais provavelmente vão ser usadas áreas. Design, Arquitectura, Música, Publicidade, Escrita, Teatro, Dança, etc. São mesmo muitas. Quando estamos a usar definições recentes elas ainda são maleáveis, o que pode ser bom mas perigoso. Se estiverem com vontade de ler mais um bocadinho, este artigo do British Council é uma boa opção.

Como funciona um Creative Hub e para que serve?

O Creative Hub une um grande grupo de criativos. Por isso tem 4 resultados maravilhosamente positivos:

  • Todos estão no mesmo sítio! Por isso as empresas têm mais facilidade em encontrar e contratar pessoas que procurem para trabalhos criativos.
  • Várias cabeças pensam melhor do que uma! Normalmente a criatividade é um processo mais fácil e com mais sucesso quando é feito em grupo.
  • Dividir despesas e necessidades! Os Creative Hubs podem ter espaços partilhados, alugados ao dia, alugados ao mês, equipamentos partilhados. Se calhar a Criativa Ana gosta de trabalhar em casa mas é bom poder alugar uma sala de reuniões, à hora, equipada para receber clientes de vez em quando. O Criativo Ivo precisa de um estúdio de fotografia mas não tem dinheiro para ter o próprio, se calhar pode alugar ao dia, e enquanto está nisso vai usar também a impressora 3D.

Um Creative Hub pode funcionar de várias maneiras. Pode ser apenas virtual e ser uma rede como a Industria Criativa, que junta criativos e empresas. Também pode ser um espaço físico com vários serviços e para isso encontrámos três exemplos que podem ajudar a perceber melhor (pelo menos a nós ajudam!).

todoslisboahub

No TODOS em Lisboa podes alugar escritórios, sala de reuniões, estúdio para fotografia/filmagens e outros espaços equipados. O TODOS além disso promove atividades e participa ativamente na rede europeia. O site é simples e é fácil compreender como funciona.

factoriaculturalmadrid

A Factoría Cultural em Espanha (está em Madrid, Murcia e Sevilha) tem uma dimensão diferente. Funciona mais como uma incubadora e aceleradora de empresas só da área da cultura e da criatividade. Em vez de um aluguer simples de espaço, os membros pagam uma quota mensal que lhes dá acesso não só ao local de trabalho como a apoio para crescer a empresa (mentoring e coaching). A Factoría também abre vagas com concurso, financiadas a 100%.

sustainablestudiocardiff

O Sustainable Studio em Cardiff, na Inglaterra, é um espaço co-work (onde várias pessoas trabalham nas suas coisas, mas em conjunto, umas ao lado das outras) que pode ser alugado ao mês ou ao dia. Tem uma escala pequena e uma filosofia perto da cooperativa (como nós!), a internet super-rápida, um bolo e sumos de vez em quando e a boa companhia (sempre), estão incluídos no preço.

Porquê um Creative Hub?

Na passada sexta-feira dia 24 de novembro pudemos assistir a uma palestra na Biblioteca Municipal de Vila Real com o título A Economia Criativa em Portugal, com o presidente da ADDICT. “Economia Criativa” é um conceito muito em voga que resume, mais ou menos, a ideia de que o trabalho criativo é de facto uma fatia importante da economia e que gera negócio e lucro cada vez mais relevante, até contrariando a tendência decrescente de outros sectores durante a crise. A ADDICT tem um estudo publicado que nos apresenta todos os dados e números importantes a nível nacional.

Estas empresas (criativas) são motores para a criação de trabalho especializado, além de, quando aliadas à indústria ou ao sector agro-alimentar, terem o potencial de criar negócios e produtos diferentes, que permitem a uma cidade/região trabalhar para o mundo.

Se pusermos em muito poucas palavras,

a criatividade é o futuro